A Dra. Adriana Relvas abordou um tema central para a saúde pública: a nova pirâmide alimentar e a forma como a alimentação pode influenciar o metabolismo, o peso e o risco de doenças crónicas.
Durante a conversa, foram discutidas as mudanças mais recentes nas recomendações nutricionais, a adaptação à realidade portuguesa e a importância de uma abordagem individualizada na alimentação.
A nova pirâmide alimentar
Nos últimos anos, alguns especialistas têm proposto uma revisão da pirâmide alimentar tradicional, sobretudo após o aumento global de obesidade e doenças metabólicas.
Enquanto a pirâmide clássica colocava cereais e hidratos de carbono na base da alimentação, a nova abordagem propõe uma reorganização das prioridades nutricionais.
Segundo esta visão, a distribuição alimentar diária pode seguir aproximadamente a seguinte estrutura:
- 50% proteína (animal ou vegetal)
- 40% frutas e vegetais
- 10% hidratos de carbono, preferencialmente integrais e de absorção lenta
Esta mudança pretende melhorar a saciedade, preservar massa muscular e otimizar o metabolismo.
Assista à entrevista completa, a Dra. Adriana Relvas explica tudo o que você deve saber:
O papel das frutas e vegetais
Frutas e vegetais continuam a ter um papel central numa alimentação equilibrada.
A recomendação passa por incluir uma grande variedade de alimentos vegetais, idealmente com três ou mais cores diferentes no prato, garantindo diversidade nutricional e aporte adequado de vitaminas, minerais e antioxidantes.
Redução de açúcares e ultraprocessados
Outro ponto importante destacado pela Dra. Adriana Relvas é a redução do consumo de alimentos ultraprocessados e açúcares refinados.
A nova pirâmide alimentar enfatiza uma alimentação baseada em produtos naturais e pouco processados, evitando aditivos e alimentos industrializados sempre que possível.
Este tipo de abordagem está associado a uma melhor saúde metabólica e menor risco de doenças crónicas.
Adaptação à realidade portuguesa
Apesar de ter sido discutida inicialmente em contexto internacional, esta nova abordagem nutricional apresenta vários pontos em comum com a dieta mediterrânica, tradicionalmente seguida em Portugal.
Alimentos como:
- azeite
- legumes
- frutas
- peixe
- leguminosas
Já fazem parte da base alimentar mediterrânica e estão alinhados com os princípios da nova pirâmide.
A Dra. Adriana Relvas destacou ainda a importância da água, elemento central na roda dos alimentos portuguesa e fundamental para o equilíbrio do organismo.
Gorduras saudáveis na alimentação
Durante a entrevista foi também abordado o papel das gorduras saudáveis.
O azeite extra virgem, por exemplo, pode ser consumido em quantidades moderadas, cerca de uma a duas colheres de sopa por refeição, preferencialmente em cru para preservar as suas propriedades nutricionais.
Estas gorduras, quando consumidas de forma equilibrada, fazem parte de uma alimentação saudável.
A importância da proteína
Outro princípio central da nova pirâmide alimentar é a presença de proteína em todas as refeições.
Suplementação: quando é necessária
A suplementação alimentar deve ser sempre orientada por um profissional de saúde, sendo indicada apenas quando existe défice nutricional ou necessidades específicas.
Um exemplo frequentemente referido é a vitamina D, cuja suplementação pode ser necessária em alguns casos, mesmo em países com boa exposição solar.
O uso indiscriminado de suplementos deve ser evitado.
Obesidade e novas abordagens terapêuticas
A obesidade foi também abordada como uma doença crónica e multifatorial, que exige acompanhamento clínico adequado.
Nos últimos anos surgiram novos medicamentos para controlo do peso, como os agonistas de GLP-1, que podem ajudar na redução da gordura visceral e no aumento da saciedade.
No entanto, a Dra. Adriana Relvas reforça que nenhum medicamento substitui mudanças sustentadas no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática regular de exercício físico.
Uma abordagem multidisciplinar à saúde metabólica
O tratamento da obesidade e das doenças metabólicas deve envolver uma equipa multidisciplinar, incluindo médicos, nutricionistas e profissionais de exercício físico.
A individualização das recomendações alimentares é essencial, tendo em conta fatores como:
- idade
- estado metabólico
- nível de atividade física
- patologias existentes
A nova pirâmide alimentar representa uma evolução na forma de encarar a nutrição, destacando a importância da proteína, das gorduras saudáveis e da redução de alimentos ultraprocessados.
Ao mesmo tempo, muitos destes princípios já fazem parte da dieta mediterrânica tradicional, o que facilita a sua aplicação na realidade portuguesa.
Mais do que seguir regras rígidas, o essencial é adotar hábitos alimentares equilibrados, sustentáveis e adaptados às necessidades individuais.


